Desafios ao Espelho ★
I
Crescemos com a ideia imposta,
de que devemos sempre nos encaixar
em padrões inacessíveis e irresistíveis,
que só nos fazem duvidar.
Crianças cheias de incertezas,
adolescentes a se esconder,
adultos presos em máscaras,
tentando apenas sobreviver.
O padrão nos engole —
está nas mídias, na TV —
buscamos corpos perfeitos
que nem ao menos podemos ter.
II
Nos odiamos por não sermos
aquilo que consumimos,
e esquecemos que, no fundo,
somos mais do que vestimos.
Até no amigo que coleciona
revistas que objetificam,
há uma sombra destrutiva
que poucos identificam.
III
E como Baco Exu nos canta,
os corpos são obras a admirar —
não só atraentes ou sensuais,
mas monumentos a celebrar.
A solução é reeducar,
nas escolas, nas ruas, enfim,
mostrar que cada forma é bela,
desde o começo até o fim.
IV
Nunca foi sobre magreza,
nem sobre o tamanho ideal,
mas sobre séculos de padrões
que nos ferem, que nos fazem mal.
A autoestima nasce cedo,
é peça fundamental do viver,
pois cada corpo, em sua essência,
tem o direito de florescer.


